Capitão América, O Primeiro Vingador – 2011, EUA. Direção: Joe Johnston. Elenco principal: Chris Evans, Hugo Weaving, Tommy Lee Jones, Hayley Atwell, Sebastian Stan. Duração: 125 minutos.
Sinopse: Homem é escolhido para se tornar um “super soldado”, adquirindo características físicas extraordinárias. Torna-se o Capitão América e acaba precisando enfrentar o Caveira Vermelha e sua organização, a Hydra.
A intenção de Capitão América: O Primeiro Vingador já está clara no título: apresentar o personagem para a “menina dos olhos” da Marvel, o filme Os Vingadores. O longa foi construído sob medida para não correr riscos de fracassar, apostando em um formato extremamente convencional, com pouca emoção e recheado de clichês do gênero.
Curiosamente, em seu início, Capitão América: O Primeiro Vingador parece indicar que trará uma abordagem humana mais elaborada do herói. Abraham Erskine, o cientista que, após ouvi-lo dizer que não gosta de crueldade, decide recrutá-lo para ser o primeiro “super soldado”, deixa claro que o faz por ver em Steve Rogers alguém com um caráter diferenciado. Tal motivação é escancarada em um diálogo repleto de frases que parecem ter saído de livros de auto-ajuda (“Um homem fraco conhece o valor da força”, “Continue sendo quem você é, um homem bom”). No mesmo diálogo, Erskine diz que as características de personalidade de Rogers seriam realçadas após o soro. Não é o que ocorre. Durante a “fase magro”, o protagonista realmente mostra ser alguém com uma integridade fora do comum – vale citar a excelente cena da granada e a determinação durante o processo de transformação. Entretanto, esta característica é esquecida ao longo do filme. O Capitão América é um homem íntegro, claro – mas não necessariamente mais que seus amigos Bucky e Carter, por exemplo. Desta forma, a razão da escolha de Steve Rogers para ser o herói não é bem justificada. Ele acaba psicologicamente nivelado aos demais – o que limita a boa atuação de Chris Evans.
O filme ainda sugere uma possível abordagem emocional para a personalidade do protagonista quando o Caveira Vermelha lhe diz: “Deixamos nossa humanidade para trás, e, diferente de você, tenho orgulho disso”. Tal frase seria muito interessante se, de fato, o Capitão América se mostrasse incomodado por ter se afastado dos seres humanos “normais” (algo similar ao que ocorre na ótima saga X-Men). Isso é algo que, entretanto, não acontece em momento nenhum do longa. Tal furo parece indicar que a fala do vilão foi incluída pelos roteiristas quando ainda não sabiam exatamente como iam desenvolver os personagens – algo que causa a impressão de um roteiro feito às pressas, na ânsia da Marvel apresentar logo todos os personagens de Os Vingadores.
Esta impressão também surge ao avaliarmos os vários clichês dos gêneros “ação” e “super-herói” aos quais o longa se entrega. Na primeira cena de tiroteio após a transformação, por exemplo, o bandido, embora ótimo atirador, inexplicavelmente não consegue acertar o Capitão América. Em outro momento, vemos o batido recurso da longa conversa antes de um assassinato, apenas para dar tempo de evitá-lo – com o assassino ainda dizendo que seu “tempo está apertado”, o que soa como humor involuntário. Temos ainda um incidente absolutamente previsível no caminho do herói (que é tratado em uma cena com uma boa piada envolvendo bebidas alcoólicas e depois esquecido), o “beijo roubado apenas para causar ciúmes no interesse romântico” e outras cenas e situações já vistas em outras produções inúmeras vezes. Nada contra o uso de clichês, muitas vezes úteis e necessários para passar informações ao espectador. Mas o abuso torna o filme bastante formulaico, reforçando, como dito, a impressão de um roteiro apressado.
Capitão América: O Primeiro Vingador também parece mal amarrado em alguns momentos. Há sequências de ação mal explicadas, em que o espectador chega a não entender exatamente para onde o herói está se dirigindo (sem que essa confusão seja intencional). A captura de determinado personagem, seguida de um diálogo que conta com uma mensagem codificada lida em voz alta de forma apenas expositiva, também não se justifica – parece “solta” na história, sendo uma cena longa e sem continuidade usada para passar uma informação que poderia ser obtida de forma mais econômica.
Outros diálogos ao longo do filme também são pouco inspirados. O derradeiro encontro do Capitão América com o Caveira Vermelha, por exemplo, é iniciado com a conversa “Você não desiste, não é?” – “Não!”. Além disso, embora flerte com a possibilidade de assumir uma crítica à arrogância americana muitas vezes associada ao personagem, essa crítica é empobrecida por ser dita pelo vilão – ao passo que o herói diz que um futuro sem nações ou bandeiras “não é o seu futuro”.
O vilão, Caveira Vermelha, muito bem interpretado por Hugo Weaving, é um personagem psicologicamente mais interessante que o protagonista. Ambicioso, deixa que o orgulho e a sede de poder lhe afastem de seguir Hitler – mas escolhe a saudação da Hydra como “Heil, Hydra!”, numa óbvia referência à tradicional saudação nazista, o que é interessante por mostrar como ele se espelha no antigo “ídolo”. A calma calculada do vilão mesmo em situações de risco (como quando diz tranquilamente “Nossas forças estão sendo sobrepujadas”) e a fascinação pelo ocultismo também são nuances curiosas de sua personalidade. Caveira Vermelha, entretanto, jamais mostra poder suficiente para parecer realmente uma ameaça (e seu visual também não é particularmente amedrontador). Além disso, o final do personagem é frustrante.
Nos momentos de fuga da trama principal, o roteiro se sai bem. Apesar do clichê citado anteriormente, o romance entre Rogers e Carter, no geral, é bem justificado – os motivos que levam um a admirar o outro são claros e a relação dos dois é desenvolvida suavemente, sem parecer brusca, como ocorre, por exemplo, em Thor. Há também bons momentos de humor, principalmente referentes à fragilidade do físico do protagonista no início. A homenagem ao Capitão América “tradicional”, com o uniforme com asinhas na cabeça e batendo em Hitler, também diverte. Outro personagem importante para o humor do longa é o ranzinza Coronel Phillips, composto de forma inspirada por Tommy Lee Jones.
Apesar da já citada fragilidade do destino do Caveira Vermelha, o final de Capitão América: O Primeiro Vingador, talvez por já servir de preparação para o ambicioso Os Vingadores, funciona bem. Retoma inteligentemente o início do longa, o que é sempre elogiável. Além disso, a forma como a sequência é montada consegue levar o espectador a se identificar com o protagonista e compartilhar com ele a surpresa pela situação na qual se encontra. A cena pós-créditos, finalmente, é estimulante e traz curiosidade pelo destino do Capitão América, preparando bem o terreno para o próximo filme.
No que se refere aos aspectos técnicos, o filme se sai bem melhor que no roteiro, apesar de uma trilha sonora que destoa dos outros elementos – é pouco inspirada, bastante óbvia, além de repetitiva, o que acaba banalizando seu uso. As cenas de ação, porém, mostram-se bem filmadas e bem montadas desde a primeira, logo após a transformação (com a interessante cena sob a água). A criação de época é eficaz, contando com a ajuda de uma boa fotografia – que chama a atenção desde o início do longa, com o contraste que cria entre os universos de Steve Rogers e do vilão Johann Schmidt.
Tecnicamente, portanto, o longa é eficiente – entretanto, essa eficiência serve a uma história esquemática e previsível. Assim como ocorrido em Thor, a Marvel, temendo ousar em qualquer aspecto que pudesse dar a Capitão América: O Primeiro Vingador uma recepção fria e prejudicar Os Vingadores, acaba executando um longa morno e descartável. Tratando-se de um estúdio vindo de um longa brilhante como X-Men: Primeira Classe (onde o que não falta é criatividade, profundidade emocional nos personagens e ousadia), é, definitivamente, uma pena.
Cotação: **
Observação: O filme tem uma cena adicional após os créditos.

Assisti ao trailer recentemente e não me deu vontade de assitir. Eu não sou um grande fã de filmes desse gênero, mas gostei de Homem Aranha, por exemplo. Esse Capitão América não me inspirou.
E, apesar do bom caratismo do heroi, ele faz apologia do dopping. Que feio…
Hahaehueah pois eh, Edison. Capitao Cielo! Rs.
Pois é. Lendo a crítica, parece que adivinhei o que aconteceria, tomando por base meus comentários sobre Thor…
Mateus, pela sua foto fica clara sua preferência pelo Super Homem!
Pois é, não é um filme tão “eficiente” e profundo como X-men, este filme tem muitos clichês e muita ação! Mesmo sendo raso e pouco ousado, o filme atende no quesito de apresentar o personagem, rende risadas e torcida! Boas observações, amor! Beijo!
Boa cítica! Na minha opinião de B**ta esse já citado filme ainda foi melhor se comparado ao Thor. E tenho uma preferencia por heróis nacionalistas moldados a “saga do herói”. Ceio que estes já morreram e estão preocupados com seus umbigos como por exemplo os X-man ou Heroes.
Olha, eu acho o filme muito bom… nem todo filme é obrigado a seguir uma expectativa como a que voce deixou bem clara… o engraçado é que voce diz varias vezes que algumas cenas ja eram esperadas… mas se tudo fosse ao contrario de suas criticas, seria da forma que vc esperava!!
acho que nunca o filme será PERFEITO, e desde que sirva de descontraçao, seja interessante, envolvente, é um filme que vale a pena… e é isso que eu penso.
Mas apesar de tudo, vc sabe bem como analisar um longa…
mas cuidado pra não exagerar, e acabar criticando situaçoes desnecessarias, o que faz parecer que o filme é uma porcaria, enquanto na verdade é bem envolvente e interessante.
[...] como Hulk, o Capitão América mostra-se muito mais interessante que no fraco filme anterior. A sisudez do personagem, que beirava o desagradável, passa a ser tratada com descontração, [...]