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Posts de julho \30\UTC 2011

Capitão América, O Primeiro Vingador – 2011, EUA. Direção: Joe Johnston. Elenco principal: Chris Evans, Hugo Weaving, Tommy Lee Jones, Hayley Atwell, Sebastian Stan. Duração: 125 minutos.

Sinopse: Homem é escolhido para se tornar um “super soldado”, adquirindo características físicas extraordinárias. Torna-se o Capitão América e acaba precisando enfrentar o Caveira Vermelha e sua organização, a Hydra.

A intenção de Capitão América: O Primeiro Vingador já está clara no título: apresentar o personagem para a “menina dos olhos” da Marvel, o filme Os Vingadores. O longa foi construído sob medida para não correr riscos de fracassar, apostando em um formato extremamente convencional, com pouca emoção e recheado de clichês do gênero.

Curiosamente, em seu início, Capitão América: O Primeiro Vingador parece indicar que trará uma abordagem humana mais elaborada do herói. Abraham Erskine, o cientista que, após ouvi-lo dizer que não gosta de crueldade, decide recrutá-lo para ser o primeiro “super soldado”, deixa claro que o faz por ver em Steve Rogers alguém com um caráter diferenciado. Tal motivação é escancarada em um diálogo repleto de frases que parecem ter saído de livros de auto-ajuda (“Um homem fraco conhece o valor da força”, “Continue sendo quem você é, um homem bom”). No mesmo diálogo, Erskine diz que as características de personalidade de Rogers seriam realçadas após o soro. Não é o que ocorre. Durante a “fase magro”, o protagonista realmente mostra ser alguém com uma integridade fora do comum – vale citar a excelente cena da granada e a determinação durante o processo de transformação. Entretanto, esta característica é esquecida ao longo do filme. O Capitão América é um homem íntegro, claro – mas não necessariamente mais que seus amigos Bucky e Carter, por exemplo. Desta forma, a razão da escolha de Steve Rogers para ser o herói não é bem justificada. Ele acaba psicologicamente nivelado aos demais – o que limita a boa atuação de Chris Evans.

O filme ainda sugere uma possível abordagem emocional para a personalidade do protagonista quando o Caveira Vermelha lhe diz: “Deixamos nossa humanidade para trás, e, diferente de você, tenho orgulho disso”. Tal frase seria muito interessante se, de fato, o Capitão América se mostrasse incomodado por ter se afastado dos seres humanos “normais” (algo similar ao que ocorre na ótima saga X-Men).  Isso é algo que, entretanto, não acontece em momento nenhum do longa. Tal furo parece indicar que a fala do vilão foi incluída pelos roteiristas quando ainda não sabiam exatamente como iam desenvolver os personagens – algo que causa a impressão de um roteiro feito às pressas, na ânsia da Marvel apresentar logo todos os personagens de Os Vingadores.

Esta impressão também surge ao avaliarmos os vários clichês dos gêneros “ação” e “super-herói” aos quais o longa se entrega. Na primeira cena de tiroteio após a transformação, por exemplo, o bandido, embora ótimo atirador, inexplicavelmente não consegue acertar o Capitão América.  Em outro momento, vemos o batido recurso da longa conversa antes de um assassinato, apenas para dar tempo de evitá-lo – com o assassino ainda dizendo que seu “tempo está apertado”, o que soa como humor involuntário. Temos ainda um incidente absolutamente previsível no caminho do herói (que é tratado em uma cena com uma boa piada envolvendo bebidas alcoólicas e depois esquecido), o “beijo roubado apenas para causar ciúmes no interesse romântico” e outras cenas e situações já vistas em outras produções inúmeras vezes. Nada contra o uso de clichês, muitas vezes úteis e necessários para passar informações ao espectador. Mas o abuso torna o filme bastante formulaico, reforçando, como dito, a impressão de um roteiro apressado.

Capitão América: O Primeiro Vingador também parece mal amarrado em alguns momentos. Há sequências de ação mal explicadas, em que o espectador chega a não entender exatamente para onde o herói está se dirigindo (sem que essa confusão seja intencional). A captura de determinado personagem, seguida de um diálogo que conta com uma mensagem codificada lida em voz alta de forma apenas expositiva, também não se justifica – parece “solta” na história, sendo uma cena longa e sem continuidade usada para passar uma informação que poderia ser obtida de forma mais econômica.

Outros diálogos ao longo do filme também são pouco inspirados. O derradeiro encontro do Capitão América com o Caveira Vermelha, por exemplo, é iniciado com a conversa “Você não desiste, não é?” – “Não!”.  Além disso, embora flerte com a possibilidade de assumir uma crítica à arrogância americana muitas vezes associada ao personagem, essa crítica é empobrecida por ser dita pelo vilão – ao passo que o herói diz que um futuro sem nações ou bandeiras “não é o seu futuro”.

O vilão, Caveira Vermelha, muito bem interpretado por Hugo Weaving, é um personagem psicologicamente mais interessante que o protagonista. Ambicioso, deixa que o orgulho e a sede de poder lhe afastem de seguir Hitler – mas escolhe a saudação da Hydra como “Heil, Hydra!”, numa óbvia referência à tradicional saudação nazista, o que é interessante por mostrar como ele se espelha no antigo “ídolo”. A calma calculada do vilão mesmo em situações de risco (como quando diz tranquilamente “Nossas forças estão sendo sobrepujadas”) e a fascinação pelo ocultismo também são nuances curiosas de sua personalidade. Caveira Vermelha, entretanto, jamais mostra poder suficiente para parecer realmente uma ameaça (e seu visual também não é particularmente amedrontador). Além disso, o final do personagem é frustrante.

Nos momentos de fuga da trama principal, o roteiro se sai bem. Apesar do clichê citado anteriormente, o romance entre Rogers e Carter, no geral, é bem justificado – os motivos que levam um a admirar o outro são claros e a relação dos dois é desenvolvida suavemente, sem parecer brusca, como ocorre, por exemplo, em Thor. Há também bons momentos de humor, principalmente referentes à fragilidade do físico do protagonista no início. A homenagem ao Capitão América “tradicional”, com o uniforme com asinhas na cabeça e batendo em Hitler, também diverte. Outro personagem importante para o humor do longa é o ranzinza Coronel Phillips, composto de forma inspirada por Tommy Lee Jones.

Apesar da já citada fragilidade do destino do Caveira Vermelha, o final de Capitão América: O Primeiro Vingador, talvez por já servir de preparação para o ambicioso Os Vingadores, funciona bem. Retoma inteligentemente o início do longa, o que é sempre elogiável. Além disso, a forma como a sequência é montada consegue levar o espectador a se identificar com o protagonista e compartilhar com ele a surpresa pela situação na qual se encontra. A cena pós-créditos, finalmente, é estimulante e traz curiosidade pelo destino do Capitão América, preparando bem o terreno para o próximo filme.

No que se refere aos aspectos técnicos, o filme se sai bem melhor que no roteiro, apesar de uma trilha sonora que destoa dos outros elementos – é pouco inspirada, bastante óbvia, além de repetitiva, o que acaba banalizando seu uso. As cenas de ação, porém, mostram-se bem filmadas e bem montadas desde a primeira, logo após a transformação (com a interessante cena sob a água). A criação de época é eficaz, contando com a ajuda de uma boa fotografia – que chama a atenção desde o início do longa, com o contraste que cria entre os universos de Steve Rogers e do vilão Johann Schmidt.

Tecnicamente, portanto, o longa é eficiente – entretanto, essa eficiência serve a uma história esquemática e previsível. Assim como ocorrido em Thor, a Marvel, temendo ousar em qualquer aspecto que pudesse dar a Capitão América: O Primeiro Vingador uma recepção fria e prejudicar Os Vingadores, acaba executando um longa morno e descartável. Tratando-se de um estúdio vindo de um longa brilhante como X-Men: Primeira Classe (onde o que não falta é criatividade, profundidade emocional nos personagens e ousadia), é, definitivamente, uma pena.

Cotação: **

Observação: O filme tem uma cena adicional após os créditos.

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Sinédoque, Nova York

Sinédoque, Nova York – 2008, EUA. Direção: Charlie Kaufman. Elenco principal: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Samantha Morton, Michelle Willians, Emily Watson, Sadie Goldstein, Tom Noonan, Jennifer Jason Leigh, Robin Weigert, Hope David, Dianne Wiest. Duração: 123 minutos.

Sinopse: Após ser abandonado pela esposa, o dramaturgo Caden Cotard resolve criar a peça mais realista possível sobre a própria vida.

Responsável por trabalhos excepcionais como Quero ser John Malkovich, Adaptação e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Charlie Kaufman sempre foi um roteirista absolutamente diferenciado. O autor é capaz de proporcionar curiosas análises sobre a mente humana nos seus filmes. Kaufman nunca tinha, porém, mergulhado tão profundamente nessas análises quanto no seu primeiro longa como diretor. Sinédoque, Nova York é sua obra-prima.

Sinédoque é uma figura de linguagem pela qual se exprime o todo pela parte, ou a parte pelo todo. É, portanto, um nome mais que adequado para um filme recheado de representações e simbolismos. Caden Cotard, o protagonista, dramaturgo de talento, é abandonado pela esposa, a pintora Adele, que parte com a filha Olive, na mesma época em que ganha uma grande quantia financeira em um prêmio. Atormentado pelo abandono, por uma relação não bem desenvolvida com a bilheteira, Hazel, e por diversas doenças, Cotard decide criar sua peça mais ambiciosa: uma representação da (sua) vida da forma mais verossímil possível, com cenários gigantescos, dezenas de atores e em tempo real. O personagem fica tão obcecado com o realismo da produção que ela se torna interminável, além de entrar em uma espécie de ciclo infinito – há atores interpretando atores, cenários dentro de cenários e assim sucessivamente. É comum vermos cenas como aquela na qual a atriz que interpreta Hazel diz que “a atriz que interpreta Hazel está chegando”.

À medida que Cotard representa a si mesmo da forma mais realista possível, o mundo com que estava acostumado antes do projeto se torna cada vez mais distante – e, não à toa, enquanto o protagonista exprime sua arte multiplicando infinitamente a representação da sua realidade, a arte de Adele é expressa através do minimalismo – deve ser vista com lupas. A ex-esposa é inalcançável e quase invisível aos olhos de Cotard, que parece sempre estar um passo atrás dela – chega a encontrar seu café quente e o chuveiro ligado. Ao passo que ele não encontra a mulher, também não encontra a si mesmo – e tudo que cria parece uma busca por auto-conhecimento. Essa busca se torna mais convincente através da entrega do sempre genial Philip Seymour Hoffman, que transforma Cotard em uma figura multifacetada e complexa.

Os dilemas de Cotard, no longa, são sempre vistos através dos seus olhos, cheios de representações simbólicas. Kaufman retrata isso de forma muito eficiente – a casa incendiada, a presença de um velho à espreita, as respostas que procura através de um diário escrito “à distância”, a frieza absoluta de médicos que tratam de temas extremamente delicados. O protagonista, ao longo da construção de sua peça, passa a confundir (junto com o espectador) realidade e ficção. Em determinado momento, acredita que alguém limparia o sangue de um quarto como se estivesse em um set (quando não estava). Em outro, reclama com um ator por interpretar de forma equivocada uma cena (“não foi isso que eu fiz!”) onde, na verdade, o ator comete um gesto que nada tinha de interpretação.

Muitas das questões envolvendo Sinédoque, Nova York envolvem a constante presença da morte – em determinado momento, Sammy Benathan (o ator que interpreta Cotard) chega a dizer que a peça é sobre a morte, sendo imediatamente corrigido pelo seu autor, que afirma que a peça é sobre “tudo” (o que soa como Kaufman corrigindo o espectador pela mesma confusão). Sammy não tem, porém, essa impressão gratuitamente. O elemento morte, recorrente na trajetória de Kaufman, nunca tinha sido abordado de forma tão complexa. Os problemas de saúde do protagonista se sucedem, chegando a haver perda da saliva e das lágrimas. Hipocondríaco, está constantemente nos médicos. Além disso, dá sempre muita atenção às várias mortes das pessoas que o cercam – lembrando que vemos o filme sob sua perspectiva. Desta forma, os velórios são constantes. Com tudo isso, o tema vai se tornando uma obsessão para Cotard.

Kaufman é muito eficiente na forma de retratar essa obsessão. Vemos constantemente cores fúnebres na tela, como roxo e verde escuro. Os olhos de Cotard estão sempre à sombra e raramente focados – algo relacionado a um de seus problemas de saúde. Em vários momentos, ele traz a morte como parte do discurso – “A maior parte do tempo você está morto ou ainda não nasceu”, “Estou morrendo?”, “Estou sem ideias, estou morto”.  Além disso, o diretor/roteirista é criativo ao nomear o personagem com o nome de uma doença – Síndrome de Cotard – que faz com que o paciente acredite estar morto.

Há ainda uma infinidade de aspectos a abordar sobre os simbolismos de Sinédoque, Nova York. O fato de Cotard jamais encontrar um nome e uma maneira ideal de realizar sua peça é interessante – de tão real, a peça jamais está encerrada ou definida (e o final do filme é extraordinário nesse aspecto). Outra questão interessante é o egoísmo que conduz a personalidade do protagonista – imerso em sua própria história, foca a atenção da sua vida praticamente apenas em mulheres, porém não percebe suas necessidades ou sentimentos – e sua reação ao saber do destino de Derek representa isso com precisão – além de não saber lidar com elas – aqui, cabe destacar sua reação a um pedido de perdão inusitado da filha.

Certamente, há ainda diversas outras questões a discutir – Sinédoque, Nova York convida o espectador a assisti-lo novamente e buscar novas observações e interpretações. Evidentemente, um longa tão recheado de simbolismos representa um risco. Em diversos momentos, o filme parece prestes a sair do controle do seu autor – algo que nunca ocorre. Sem dúvidas, Kaufman foi pretensioso ao ambicionar tratar de tantas questões pessoais e, ao mesmo tempo, universais, como as paranoias, o medo da morte e da solidão e as representações que todos fazem de suas vidas, sem didatismo, com tantas sutilezas e sempre respeitando a inteligência do espectador. Felizmente, conseguiu atingir suas pretensões de forma sublime.

O que o filme tem de mais grandioso é que há, no seu universo repleto de representações, duas camadas a mais. Cotard é interpretado por Sammy, mas também serve para interpretar as angústias e os pontos de vida de Kaufman – que, por sua vez, é intérprete das nossas angústias e dos nossos pontos de vista. Em determinado momento, o protagonista ouve (ou diz) que “Todos são todos. Você é Adele, Claire, Hazel, Olive, Ellen”. Sim, mas não apenas. Cotard também é Kaufman e também é o espectador.  A produção transcende, portanto, o fenômeno da identificação do espectador com os personagens. Aqui, há também identificação do espectador com o diretor e roteirista, e deste com os personagens. Os estudos do autor sobre a mente humana se tornam coletivos. Uma realização absolutamente fascinante.

Cotação: *****

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Sete Homens e um Destino – 1960, EUA. Direção: John Sturges. Elenco principal: Yul Brynner, Steve McQueen, Horst Buchholz, Charles Bronson, James Coburn, Robert Vaughn, Brad Dexter, Eli Wallach. Duração: 128 minutos.  

Sinopse: Fazendeiros contratam sete homens para a proteção de seu vilarejo – constantemente ameaçado pelos roubos e assassinatos de Calvera, um bandido impiedoso.

Não é fácil, no cinema, realizar uma adaptação. A comparação com o original geralmente traz um nível de responsabilidade e cobrança muito grandes. Quando a adaptação é sobre um clássico de Kurosawa como Os Sete Samurais, a tarefa tende a ser ainda mais complicada. Por isso, é louvável que Sete Homens e um Destino, ainda que não seja perfeito, mostre-se um faroeste tão eficiente e inteligente.

Grande parte dos méritos do filme está na forma como o diretor, John Sturges, consegue estabelecer tensão em várias de suas cenas, explorando bem a grandiosidade que o gênero permite. A sequência na qual Chris e Vin são apresentados e têm de levar o corpo de um índio em uma carroça, sabendo que poderiam ser alvejados, por exemplo, é filmada de forma extraordinária. A montagem alterna entre dois planos: os rostos confiantes dos atores, filmados de baixo e em zoom, e a população da cidade filmada de longe, os seguindo à espreita. Desta forma, Sturges consegue destacar ao mesmo tempo a força da dupla e o perigo a que estão submetidos, dados a vastidão do campo que os cerca e o medo das pessoas que os observam. Da mesma forma, as cenas de tiroteio são bastante eficientes, jamais deixando o espectador confuso mesmo com a grande quantidade de personagens envolvidos.

O filme não se limita, contudo, a ser um ótimo filme de ação. Sete Homens e um Destino também traz diálogos bastante interessantes. Quando os fazendeiros do vilarejo estão recrutando os homens que contratarão para defendê-los, vêem um homem e um diz: “Veja as cicatrizes no rosto dele”, ao passo que o outro responde de forma inspirada: “O nosso homem é o que lhe deu aquele rosto”. Em outro momento, um dos protagonistas, ao reconhecer a fragilidade do grupo no caso de um ataque naquele momento, conta a história de alguém que caiu de 10 andares e, a cada janela pela qual passava, dizia “Até aqui, tudo bem!”.

As discussões trazidas pelo filme também são instigantes. Ao mesmo tempo em que trata os protagonistas como heróis corajosos e poderosos, o roteiro discute o conceito de herói, ao trazer o grupo infeliz em diversos momentos por não terem tido coragem de criar uma família e não terem apegos a lugares específicos ou pessoas a ampará-los. Além disso, a figura do vilão Calvera é interessante por achar que a violência – e o papel que exerce – é parte da realidade, não algo exatamente cruel (“Se Deus não quisesse que fossem tosadas não lhes teria feito ovelhas”) – e sua última fala no filme representa de forma sucinta e inteligente sua forma de encarar o mundo.

No desenvolvimento dos personagens, contudo, o longa é menos eficiente que nos outros aspectos. É preciso dizer que cada um dos sete homens tem uma personalidade única, nenhum deles está gratuitamente na trama. Entretanto, embora suas histórias e suas idéias sejam eficientes, são exploradas de forma um tanto apressada, talvez pela duração reduzida do filme em relação ao original Os Sete Samurais. Portanto, não é que os personagens sejam mal desenvolvidos – na verdade, eles são pouco desenvolvidos. O espectador fica com uma sensação que os protagonistas tinham mais potencial que o explorado, especialmente ao considerar a qualidade do elenco. Harry Luck, por exemplo, é um tanto esquecido ao longo do filme, somente voltando a surgir no seu final . Da mesma forma, a covardia de Lee é pouco desenvolvida e o personagem fica apagado. O’Reilly, por sua vez, tem uma interessante combinação de crueza e bondade que faz o espectador lamentar seus poucos momentos em cena. Já o misterioso e competente Britt tem suas motivações pouco explicadas – o que o levou, por exemplo, a mudar de ideia e seguir o grupo? A dupla de protagonistas Chris e Vin segue o padrão “lobos solitários”, seguros e experientes. Desta forma, quem mais brilha em cena é o jovem Chico, mais multifacetado que os demais.

Tecnicamente, Sete Homens e um Destino é bastante eficaz ao mergulhar o espectador no universo do longa. A criação do pequeno vilarejo que os protagonistas precisam defender  consegue estabelecer o quanto aquele local é seco e pobre – e a fotografia ressalta muito bem a aridez do local. A trilha sonora de Elmer Bernstein, por sua vez, é um espetáculo a parte – indicada ao Oscar, tornou-se referência ao western, colocando-se entre as grandes da história do cinema. Cada música traz o clima perfeito para a situação – o vilão, por exemplo, é apresentado por uma trilha dura e intimidatória, enquanto a música que rege os protagonistas tem toda a grandeza que personagens como eles carregam. O tema principal não deve nada a temas inesquecíveis como os de Star Wars, Indiana Jones ou De Volta Para o Futuro.

Apesar do pecadilho quanto ao desenvolvimento dos personagens, Sete homens e um Destino é dinâmico, bem escrito e bem dirigido. Além disso, tornou-se referência para o western, influenciando, por exemplo, o cinema de Sergio Leone. Tem, portanto, elementos suficientes para ser chamado de clássico: feito conseguido por poucas adaptações na história do cinema.

Cotação: ****

 

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